De onde vêm os nossos desejos? Eles são realmente nossos ou foi alguém que os plantou em nossa mente?
E se o desejo é meu, ele é genuíno ou é apenas uma mesquinhez disfarçada? Qual é o verdadeiro fundamento por trás daquilo que queremos?
Temos muitos desejos e, a cada momento, queremos algo diferente. Mas será que já paramos para investigá-los?
No dia a dia, desejamos coisas materiais: dinheiro, pessoas, qualquer coisa que seja física, palpável e visível aos olhos.
Ao mesmo tempo, desejamos coisas imateriais como a Felicidade, o Amor e a Paz. Esses, aliás, são desejos compartilhados por toda a espécie humana. Todos queremos ser felizes, queremos amar e nos sentir amados. Desejamos encontrar um propósito e viver uma vida realizada.
Todos nós temos sonhos. Muitos não os alcançam; já outros, sim.
Vejo pessoas sendo infiéis aos próprios desejos, duvidando da própria capacidade, se diminuindo e se colocando como não merecedoras. Vejo pessoas desistirem de coisas simples, como o desejo por uma vida mais ativa, com menos procrastinação, ou de se alimentar bem.
Essas pessoas perdem para elas mesmas nas pequenas batalhas. Ninguém precisou tentar prejudicá-las; elas mesmas fizeram isso por conta própria.
É claro que a dúvida é algo comum em nós, mas ela não deve nos paralisar. Acredito fielmente que todo desejo pode ser alcançado e experienciado. É a nossa postura diante da vida que nos aproxima ou nos afasta desses desejos mais profundos. Por mais complexa que seja a realidade, sempre é possível sair de um Ponto A e ir para um Ponto B.
Falando de coisas materiais, pessoas diferentes desejam coisas diferentes. É natural do Ser Humano desejar o conforto e a segurança. Isso é o básico.
No entanto, há pessoas que desejam coisas apenas para se sentirem especiais e maiores que as demais. Esse é um desejo sem fundamento, de puro egocentrismo, que serve apenas para inebriar o próprio ego.
Já outras pessoas desejam ajudar. Ajudar seus pais, seus filhos ou qualquer pessoa ou ser que precise. Essas pessoas têm um desejo bonito e inspirador.
Não dá para generalizar. Tudo vai da índole de cada um. O desejo depende muito do momento da vida e do que essa pessoa tem dentro de si. Pessoas profundas, com alto nível de autoconhecimento, reconhecem que o maior valor não está nas coisas materiais. Elas reconhecem as prioridades sem trocar as coisas de lugar e, ao mesmo tempo, não negligenciam aquilo que deve ser feito.
O Budismo nos ensina que o desejo é a raiz de todo sofrimento, e isso faz sentido se você parar para pensar.
Geramos sofrimento no simples fato de não ter aquilo que desejamos. Sofremos se não alcançamos. Fazemos outros sofrer se os negligenciamos em busca do que queremos. O desejo também gera apego, e o apego também causa sofrimento.
Acredito que Buda não expôs isso para desanimar ninguém, mas sim com a intenção de expressar que não são esses desejos que vão realmente nos fazer felizes. Ele mesmo viveu os dois extremos: a vida de um príncipe e a de um mendigo. Descobriu que a verdadeira felicidade não depende de coisas materiais e que podemos nos tornar prisioneiros daquilo que temos e desejamos.
O que extraio disso é que já temos tudo o que precisamos para sermos felizes dentro de nós mesmos. Não serão coisas materiais que irão nos preencher. A pura natureza do Ser é, em Si, completa.
Mas também não devemos ser ignorantes a ponto de negligenciar a importância de uma boa estrutura, seja o conforto e a segurança de um lar ou ter boas condições financeiras.
É um fato que somos condicionados e moldados para desejar. Somos influenciados por nossos pais, amigos, pela sociedade ou pela própria necessidade de ter status.
Há tanta luta para se alcançar tais desejos e, só quando realmente chegamos lá, percebemos que não era o que realmente queríamos. Por quê? Porque fomos atrás dos desejos dos outros.
Quantos dos nossos próprios desejos são sem fundamento?
Não sou um guru para dizer algo que venha te confortar. A única coisa que posso lhe dizer é que não há nada de mal em desejar. Todos nós estamos em busca de uma vida melhor.
O desejo, seja ele qual for, não é bom nem mal. Mas é aquilo que você escolhe que ele seja. Se você quer dinheiro, não há nada de mal nisso, mas o que você escolhe fazer com ele faz toda a diferença.
Acredito que o alerta que os mestres nos fazem é para não nos apegarmos a esses desejos, pois eles são perecíveis, são passageiros e, mesmo que os alcancemos, não irão durar para sempre.
Por isso, eles enfatizam a busca espiritual, a busca pelo Eterno e pelo Amor Divino. Enfatizam colocar os Seres acima dos bens materiais. A maior aquisição é a nossa capacidade de Amar, apesar das aparências. Um puro e genuíno Amor pelo outro Ser, e não por aquilo que ele pode me oferecer, totalmente destituído de egoísmo.
Infelizmente, algumas pessoas vão na direção oposta. Com seus desejos egoístas, prejudicam a vida de muitas outras, seja por todos os tipos de exploração e destruição.
A busca material é incessante. Nunca satisfeita. Mesmo quando se alcança algo, logo em seguida já se deseja mais. Esse prazer inicial passa, e passa rápido. E o ciclo se reinicia.
A vida não é essa constante corrida por mais. Esse ciclo é um reflexo de um vazio interno que faz com que coisas externas sejam usadas para, falsamente, preenchê-lo. O que nunca acontece.
As pessoas estão vazias de si, vazias de significado. O significado do sistema é esse: uma roda girando, retroalimentada pelo esgotamento das almas.
É claro que todos nós desejamos evoluir e crescer. A evolução no material não é a mesma que no espiritual, mas elas podem, sim, ser conciliadas. Nenhum extremo é uma escolha adequada para uma vida realizada e equilibrada.
Para saber de onde vem o seu desejo e quão forte ele é, você precisa saber Quem Você É, Aonde está e Aonde Quer chegar.
Você precisa ter clareza e discernimento a respeito desse desejo e questionar se ele está realmente alinhado com quem você é. Muitos desejos não são nossos e precisamos, sim, investigar.
Essas são as chaves. Guarde-as bem:
Autoconhecimento
Clareza
Discernimento
É assim que separamos o que é do que não é Real.